quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Nas correntezas da vida



Ultimamente tenho pensado muito sobre a vida e o quanto ela se assemelha a um rio, em seu percurso, suas curvas, o modo com que aparecem declines e de repente se faz plano, seus acidentes geográficos,sua força, sua historia.E para mim, esse rio, muito lembra a vida.Que assim como ele também segue seu fluxo.
E foi seguindo esse fluxo que acabei chegando aqui. Buenos Aires, cidade latino americana metida a européia, com mil encantos, sua beleza natural, sua culinária distinta, alfajores,medialunas e seus sorvetes artesanais que me enlouquecem.Povo amável, que recentemente demonstraram uma simpatia e uma habilidade na arte de acolher como ninguém nunca viu.
A cidade do turismo, dos turistas e das oportunidades,...Da minha oportunidade.
Buenos Aires me ofereceu o que meu próprio pais não me deu: a chance de transformar o sonho em realidade. A minha faculdade.
São quase dois anos de verdadeiro estado de êxtase. Descobertas, aprendizados e confirmação de algo que eu elegi pra minha vida inteira, a medicina.
Sou imensamente grata e satisfeita por tudo que vivi nos últimos 1 ano e 5 meses.
Só eu sei tudo que essa experiência significou pra mim, tudo que vi, aprendi,vivi e conheci aqui nas terras porteñas.
Um tanto quanto Clichê mas não podia faltar, não posso acabar esse texto sem mencionar a tal da segunda língua, a segunda cultura, que conheci e vivenciei.
Tão clichê quanto, é falar da maturidade e a independência que adquiri aqui.
Mas como diria meu grande poeta: Durou o tempo exato para ser inesquecível.
A mesma vida que me trouxe, hoje me leva.
Sim, estou voltando pra terrinha.
Por motivos de saúde, me despeço da terra dos hermanos,mas não da medicina e não definitivamente.
As mesmas águas que me levam podem me trazer de volta não?
Nunca se sabe o dia de amanha. Mas eu sei o de hoje, e hoje vou pra casa.
E volto com sorriso nos lábios, sorriso de satisfação. Ar de dever iniciado e muito em breve cumprido.
Meu coração se enche de lembranças e levarei na bagagem as coisas boas que essas águas me presentearam.
Uma pitada de insegurança existe, por que o curso ia a todo vapor, e deixa lo assim aperta um pouquinho o coração, mas se quero ser medica e cuidar de vidas tenho que começar pela minha,não é mesmo? E é o que pretendo fazer, cuidar de mim pra amanha poder cuidar do meu próximo.
Sei que curiosidade,suposições e ate mentiras “explicativas” a respeito da minha volta vou encontrar pelo caminho a partir de agora,mas o motivo é esse. Simples assim.
Dirão que fui fraca, incompetente, sensível demais, mimada demais, que não fui bem na faculdade,e que estar doente é desculpa,é manha... Aceito tudo numa boa.
Realmente, Fui fraca, quando por vezes não resisti ao choro de saudade por estar longe de casa, incompetente por não saber administrar a ausência em lembranças, sensível por amar demais, mimada por querer ter meus pais por perto todas as horas do dia, e a faculdade?Somente eu posso saber tudo que absorvi, o quanto sei, e o quanto soube aproveitar. Inútil argumentar. Sobre usar doença como desculpa, posso afirmar que ninguém em sã consciente brincaria com um tema assim.
E como já citou uma pessoa muito querida que conheci por aqui:” no mais:” deixam que digam que pensem que falem..””
Por que dos que realmente importam, escutei algo que ninguém mais poderia me dizer: Que bom que você esta voltando pra casa filha.